A Paraíba não obstante o estado de inanição em termos de desenvolvimento, possui potencialidades em todos as vertentes do pensamento humano.
Nesse particular, trago agora um texto de um amigo, portador de um dos melhores textos da nossa terra.
Com vocês e para todos nós, GERMANO BARBOSA.
EU NÃO GOSTO DE POVO
Germano Barbosa (*)
Eu prefiro a pessoa, o “ser humano considerado na sua individualidade física ou espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, quais sejam, a racionalidade, a consciência de si, a capacidade de agir conforme fins determinados e o discernimento de valores, ao qual se atribuem direitos e obrigações”.
Povo é gado, indigente, desprovido de valores nobres, de vida própria, de alma; é aglomerado, normalmente dependente de líder, tangido ao sabor de conveniências, suas ou de déspotas, junto aos quais deposita todas as suas esperanças, sua sorte.
Povo não se organiza se deixa organizar; não constrói, pede, implora, rasteja; é servil e se dá por satisfeito.
Povo acredita demais e questiona de menos; dá demais e recebe de menos.
Povo é sempre base e se contenta em aplaudir e brigar, até mesmo entre si, para manter no topo o seu líder, o seu deus, o seu guru, a quem devota reverência e subordinação. Foi sempre assim, e assim será sempre, uma subordinação visceral a uma liderança primeva, uma chefia qualquer.
Povo não é gente, é massa de manipulação; não se apieda, quer piedade; não escolhe, elege; não avança, segue o cordão; não reage se rebela e logo volta atrás, pedindo perdão.
Povo vive de afago e morre de inanição.
A pessoa é diferente...
A pessoa move, constrói, busca, evolui, cresce, pensa, executa, supera desafios, não se deixa levar, tampouco faz coro com idiotismos.
A pessoa é a coisa mais linda, o tesouro mais precioso, a esperança maior de salvação da raça.
Povo é palavra desgastada, facilmente pronunciada, ao nefando talante da hipocrisia, política, monástica e social.
Povo ergue e mantém estruturas arcaicas, carcomidas, e destrói aspirações de civilização ideal.
Povo ri de si mesmo – povo é bobo e masoquista.
Precisamos é de pessoas, muitas pessoas, homens e mulheres, aqui e alhures, dispostas, altivas, menos povo e muito mais pessoas, críticas, perspicazes, para combater a inércia popular e fazer avançar-se nas conquistas humanas.
O planeta carece da ação da pessoa, no que concerne à observância às leis naturais da vida e da própria natureza, em consonância com princípios ético-sociais e o imperativo senso de solidariedade, alavanca imprescindível à profusão do ser humano, ora cambaleante, alheio ao seu entorno.
Apostar na pessoa é promover o cidadão; alimentar o “povo” é manter o homem refém do poder espúrio, odiento, escravizante.
Povo merece apupos – palmas para a pessoa.
(*) Jornalista
Espaço para todos que desejem contribuir para com o Desenvolvimento Solidário do estado da Paraíba
domingo, 22 de agosto de 2010
PERSONALIDADES AO RELENTO
Como texto inaugural deste blog, que pretendo única e exclusivamente poder repassar a idéia mestre da linha de atuação do INSTITUTO PARAÍBA SOLIDÁRIA, colocamos a disposição dos internautas de forma gradativa, como se deu o nascedouro do IPS, e para tanto, não tenho e nem quero me desviar da inspiração maior que foi a figura e o legado de Ronald Queiroz Fernandes.
Em nossa singela homenagem que fizemos ao grande paraibano, Ronald Queiroz, morto em 2006, lançando uma pequena biografia intitulada, TRIBUTO AO CAVALEIRO DA SOLIDARIEDADE, na realidade foi apenas a organização de artigos escritos por alguns das inúmeras pessoas que, assim como eu – um novo cristão de sua turma, admirador de suas idéias, conviveu e ou trabalharam com o mestre Ronald, explicitávamos da necessidade de resgatarmos na íntegra, o pensamento de Ronald, cuja inspiração se pautava na obra de Celso Furtado, aliás, nunca vi tamanho sincronismo como também similaridade em posturas.
Ontem, dia 21 de agosto, o CANAL BRASIL nos abrilhantou com a exibição do vídeo bibliográfico sobre CELSO FURTADO, O LONGO AMANHECER, do diretor José Mariani, que inclusive ganhou uma menção honrosa no festival É Tudo Verdade de 2007.
No momento em que se avizinham as eleições do corrente ano, percebemos o quão de orfandade de pessoas brilhantes a Paraíba se recente.
Assim como Ronald, Celso também era Advogado de formação e se bandearam para as trilhas do pensamento econômico.
A obra traz um balanço da vida do economista paraibano, morto em 2004, aos 84 anos. Assim como Ronald, Celso também não tinha o reconhecimento explicito dos paraibanos, em particular, dos políticos militantes, prova tamanha encontramos a avaliação da obra do economista, sintetizada em de entrevistas com intelectuais de renome como Francisco de Oliveira, João Manuel Cardoso de Mello, Antônio Barros de Castro, Hélio Jaguaribe e outros, que nesse particular ouso fazer uma modesta crítica ao nobre diretor José Mariani em não ter inserido nesse contexto de entrevistas a fala do nosso Ronald Queiroz um dos mais expressivos interpretes da obra de Celso Furtado.
Mas o mais importante foi a iniciativa de Mariani, em fazendo esse destaque, enobrece mais ainda o legado de Celso Furtado, coisa que a princípio entendo muito apropriado que busquemos nele, inspiração para provocarmos posturas mais inovadoras por parte dos políticos brasileiros.
Assim como Celso, Ronald não visualizava solução aos graves problemas brasileiros, com destaque para o Nordeste sem que não fosse precedida de uma reforma de base.
O estado da Paraíba, foco maior e único da existência do IPS, mesmo em situação lastimável no Ranking Nacional – terceiro estado mais pobre da união, segundo dados do IPEA, de há muito poderia já estar galgando outros espaços, quer no foco das potencialidades regionais, também poderia se valer dessa gama imensurável de idéias dessas duas figuras ilustres a sustentação.
A Paraíba precisa pensar grande, os paraibanos precisam se reconhecer dignos de um futuro melhor.
Em nossa singela homenagem que fizemos ao grande paraibano, Ronald Queiroz, morto em 2006, lançando uma pequena biografia intitulada, TRIBUTO AO CAVALEIRO DA SOLIDARIEDADE, na realidade foi apenas a organização de artigos escritos por alguns das inúmeras pessoas que, assim como eu – um novo cristão de sua turma, admirador de suas idéias, conviveu e ou trabalharam com o mestre Ronald, explicitávamos da necessidade de resgatarmos na íntegra, o pensamento de Ronald, cuja inspiração se pautava na obra de Celso Furtado, aliás, nunca vi tamanho sincronismo como também similaridade em posturas.
Ontem, dia 21 de agosto, o CANAL BRASIL nos abrilhantou com a exibição do vídeo bibliográfico sobre CELSO FURTADO, O LONGO AMANHECER, do diretor José Mariani, que inclusive ganhou uma menção honrosa no festival É Tudo Verdade de 2007.
No momento em que se avizinham as eleições do corrente ano, percebemos o quão de orfandade de pessoas brilhantes a Paraíba se recente.
Assim como Ronald, Celso também era Advogado de formação e se bandearam para as trilhas do pensamento econômico.
A obra traz um balanço da vida do economista paraibano, morto em 2004, aos 84 anos. Assim como Ronald, Celso também não tinha o reconhecimento explicito dos paraibanos, em particular, dos políticos militantes, prova tamanha encontramos a avaliação da obra do economista, sintetizada em de entrevistas com intelectuais de renome como Francisco de Oliveira, João Manuel Cardoso de Mello, Antônio Barros de Castro, Hélio Jaguaribe e outros, que nesse particular ouso fazer uma modesta crítica ao nobre diretor José Mariani em não ter inserido nesse contexto de entrevistas a fala do nosso Ronald Queiroz um dos mais expressivos interpretes da obra de Celso Furtado.
Mas o mais importante foi a iniciativa de Mariani, em fazendo esse destaque, enobrece mais ainda o legado de Celso Furtado, coisa que a princípio entendo muito apropriado que busquemos nele, inspiração para provocarmos posturas mais inovadoras por parte dos políticos brasileiros.
Assim como Celso, Ronald não visualizava solução aos graves problemas brasileiros, com destaque para o Nordeste sem que não fosse precedida de uma reforma de base.
O estado da Paraíba, foco maior e único da existência do IPS, mesmo em situação lastimável no Ranking Nacional – terceiro estado mais pobre da união, segundo dados do IPEA, de há muito poderia já estar galgando outros espaços, quer no foco das potencialidades regionais, também poderia se valer dessa gama imensurável de idéias dessas duas figuras ilustres a sustentação.
A Paraíba precisa pensar grande, os paraibanos precisam se reconhecer dignos de um futuro melhor.
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