Espaço para todos que desejem contribuir para com o Desenvolvimento Solidário do estado da Paraíba
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Ronald Queiroz em CAPÍTULOS
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Desenvolvimento Sustentável em Empresas
Jaqueline B. N. Poole(*)
Introdução
Hoje, um dos grande segmentos de mercado ainda pouco explorado é o de consultoria para empresas de médio e pequeno porte no Brasil. Somando-se a isso o fato de que o próprio mercado interno brasileiro tem se tornado bastante competitivo nos últimos anos, o que tem levado essas empresas a entenderem e aplicarem o conceito de sustentabilidade no seu negócio.
Desenvolvimento Sustentável
Normalmente a pergunta que se faz é: “O que minha empresa ganha com essa consultoria? “ Para se entender essa questão se faz necessário primeiramente entender o que é Desenvolvimento Sustentável/Sustentabilidade.
O conceito mais amplamento aceito de Desenvolvimento Sustentável é: “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Como forças fundamentais na sociedade, as organizações de todos os tipos têm um papel importante a desempenhar em seu alcance.
Entretanto, nesta era de crescimento econômico sem precedentes, atingir tal objetivo pode parecer mais uma aspiração do que uma realidade. À medida que as economias se tornam cada vez mais globalizadas, surgem oportunidades nunca vistas para gerar prosperidade e qualidade de vida, por meio do compartilhamento do conhecimento e do acesso à tecnologia. A questão é que essas oportunidades nem sempre estão disponíveis para uma população que não pára de crescer e são acompanhadas de novos riscos à estabilidade do meio ambiente. As estatísticas que demonstram melhoria na condição de vida de muitas pessoas em todo o mundo têm como contrapartida informações alarmantes sobre o estado do meio ambiente e o permanente ônus da miséria e da fome de milhões de pessoas.
Um dos principais desafios do desenvolvimento sustentável é a exigência de escolhas inovadoras e novas formas de pensar. Se, por um lado, o desenvolvimento de conhecimento e de tecnologia contribui para o crescimento econômico, por outro, também pode contribuir para solucionar os riscos e danos que esse crescimento traz à sustentabilidade de nossas relações sociais e do meio ambiente. Novos conhecimentos e inovações em tecnologia, em gestão e em políticas públicas cada vez mais desafiam as organizações a fazer novas escolhas em relação ao impacto de suas operações, produtos, serviços e atividades sobre as economias, as pessoas e o planeta.
A urgência e a magnitude dos riscos e dos danos para a nossa sustentabilidade e a grande disponibilidade de opções e oportunidades tornarão a transparência sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais, componente fundamental para que haja eficácia nas relações com os stakeholders (partes interessadas), nas decisões sobre investimento e em outras relações de mercado. Para dar suporte a essa expectativa e para comunicar de forma clara e transparente o que se refira à sustentabilidade, é necessário compartilhar globalmente uma estrutura de conceitos, uma linguagem coerente e uma métrica.
As empresas e o desenvolvimento sustentável
Em matéria do jornal O GLOBO sobre desenvolvimento e marketing sustentável alerta para o fato de que o comércio justo incorporado à responsabilidade ambiental tem um apelo muito grande junto ao mercado externo, e as empresas nacionais precisam estar cientes destas necessidades para agregarem valor aos seus produtos, criando uma cadeia de processos ambientalmente mais corretos, socialmente mais justos e financeiramente mais rentáveis.
Além do aspecto econômico e ambiental, a sustentabilidade completa seu sentido com os aspecto social; uma empresa para ser considerada sustentável precisa cuidar desses três aspectos: o econômico, o social e o ambiental.
Entre as ações a serem adotadas por empresas para que sejam vistas como sustentáveis podemos citar: adoção de medidas internas que minimizem seus resíduos e consequente danos ao meio ambiente, adoção de medidas de conservação de energia ( economia de luz, de água, por exemplo), entre outras; adoção de medidas socio-ambientaiss ligadas a seus funcionários como treinamento sobre a questões ambientais, oportunidades ofertadas de cursos de reciclagem, adoção/doação/parceria em comunidades em regiões carentes, etc.
A Finalidade de um Relatório de Sustentabilidade
Elaborar relatórios de sustentabilidade é a prática de medir, divulgar e prestar contas para stakeholders ( atores) internos e externos do desempenho organizacional visando ao desenvolvimento sustentável. “Relatório de sustentabilidade” é um termo amplo considerado sinônimo de outros relatórios cujo objetivo é descrever os impactos econômicos, ambientais e sociais (tripple bottom line) de uma organização, como o relatório de responsabilidade social empresarial, o balanço social etc.
Esse tipo de documento deve oferecer uma descrição equilibrada e sensata do desempenho de sustentabilidade da organização relatora, incluindo informações tanto positivas como negativas. Um relatório de sustentabilidade baseado nas Diretrizes da GRI ( Global Reporting Initiative) divulga os resultados obtidos dentro do período relatado, no contexto dos compromissos, da estratégia e da forma de gestão da organização. Entre outros propósitos, pode ser usado como:
• Padrão de referência (benchmarking) e avaliação do desempenho de sustentabilidade com respeitoa leis, normas, códigos, padrões de desempenho e iniciativas voluntárias;
• Demonstração de como a organização influencia e é influenciada por expectativas de desenvolvimento sustentável;
• Comparação de desempenho dentro da organização e entre organizações diferentes ao longo do tempo.
Nosso Foco
Nosso foco são as empresas de porte médio do Nordeste que desejam ser vistas como sustentáveis.
Podemos aplicar uma metodologia que basicamente envolve 4 fases:
1. Preparação do “Real Time Solution Case”: a Poole Consulting e a empresa elaboram uma descrição detalhada do problema a ser resolvido.
2. Fase da Solução: pode atuar de acordo com o tipo/perfil da empresa podendo, por exemplo, dividir os profissionais da empresa em grupos durante esta fase para atuarem na criação de soluções para o problema levantado; pode convidar especialistas externos para palestrarem sobre temas relativos ao caso, apresentando seminários, minicursos, oficinas, etc . Os horários/grupos de trabalho podem ser escolhidos de acordo com a conveniência de cada empresa.
3. Apresentação das soluções: ao final da fase de solução, a Poole Consulting apresenta relatório com resultados e indicações pertinentes, ficando à disposição para impletação de medidas caso seja solicitado.
4. Implementação das soluções: A implementação é mais fácil porque as idéias foram desenvolvidas e o problema entendido.
Referência:
Diretrizes para Relatório de Sustentabilidade – Global Report Initiative – 2006/2009
Plano de Produção e Consumo Sustentáveis – Ministério do Meio Ambiente - 2010
Portal Exame – economia/meio ambiente (http://exame.abril.com.br/ )
(*) Especialista em Energia, Meio Ambiente e Sustentabilidade
IPS –Instituto Paraíba Solidária
Centro de Estudos e Pesquisas “Ronald Queiroz”
domingo, 22 de agosto de 2010
PÉROLAS TEXTUAIS
Nesse particular, trago agora um texto de um amigo, portador de um dos melhores textos da nossa terra.
Com vocês e para todos nós, GERMANO BARBOSA.
EU NÃO GOSTO DE POVO
Germano Barbosa (*)
Eu prefiro a pessoa, o “ser humano considerado na sua individualidade física ou espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, quais sejam, a racionalidade, a consciência de si, a capacidade de agir conforme fins determinados e o discernimento de valores, ao qual se atribuem direitos e obrigações”.
Povo é gado, indigente, desprovido de valores nobres, de vida própria, de alma; é aglomerado, normalmente dependente de líder, tangido ao sabor de conveniências, suas ou de déspotas, junto aos quais deposita todas as suas esperanças, sua sorte.
Povo não se organiza se deixa organizar; não constrói, pede, implora, rasteja; é servil e se dá por satisfeito.
Povo acredita demais e questiona de menos; dá demais e recebe de menos.
Povo é sempre base e se contenta em aplaudir e brigar, até mesmo entre si, para manter no topo o seu líder, o seu deus, o seu guru, a quem devota reverência e subordinação. Foi sempre assim, e assim será sempre, uma subordinação visceral a uma liderança primeva, uma chefia qualquer.
Povo não é gente, é massa de manipulação; não se apieda, quer piedade; não escolhe, elege; não avança, segue o cordão; não reage se rebela e logo volta atrás, pedindo perdão.
Povo vive de afago e morre de inanição.
A pessoa é diferente...
A pessoa move, constrói, busca, evolui, cresce, pensa, executa, supera desafios, não se deixa levar, tampouco faz coro com idiotismos.
A pessoa é a coisa mais linda, o tesouro mais precioso, a esperança maior de salvação da raça.
Povo é palavra desgastada, facilmente pronunciada, ao nefando talante da hipocrisia, política, monástica e social.
Povo ergue e mantém estruturas arcaicas, carcomidas, e destrói aspirações de civilização ideal.
Povo ri de si mesmo – povo é bobo e masoquista.
Precisamos é de pessoas, muitas pessoas, homens e mulheres, aqui e alhures, dispostas, altivas, menos povo e muito mais pessoas, críticas, perspicazes, para combater a inércia popular e fazer avançar-se nas conquistas humanas.
O planeta carece da ação da pessoa, no que concerne à observância às leis naturais da vida e da própria natureza, em consonância com princípios ético-sociais e o imperativo senso de solidariedade, alavanca imprescindível à profusão do ser humano, ora cambaleante, alheio ao seu entorno.
Apostar na pessoa é promover o cidadão; alimentar o “povo” é manter o homem refém do poder espúrio, odiento, escravizante.
Povo merece apupos – palmas para a pessoa.
(*) Jornalista
PERSONALIDADES AO RELENTO
Em nossa singela homenagem que fizemos ao grande paraibano, Ronald Queiroz, morto em 2006, lançando uma pequena biografia intitulada, TRIBUTO AO CAVALEIRO DA SOLIDARIEDADE, na realidade foi apenas a organização de artigos escritos por alguns das inúmeras pessoas que, assim como eu – um novo cristão de sua turma, admirador de suas idéias, conviveu e ou trabalharam com o mestre Ronald, explicitávamos da necessidade de resgatarmos na íntegra, o pensamento de Ronald, cuja inspiração se pautava na obra de Celso Furtado, aliás, nunca vi tamanho sincronismo como também similaridade em posturas.
Ontem, dia 21 de agosto, o CANAL BRASIL nos abrilhantou com a exibição do vídeo bibliográfico sobre CELSO FURTADO, O LONGO AMANHECER, do diretor José Mariani, que inclusive ganhou uma menção honrosa no festival É Tudo Verdade de 2007.
No momento em que se avizinham as eleições do corrente ano, percebemos o quão de orfandade de pessoas brilhantes a Paraíba se recente.
Assim como Ronald, Celso também era Advogado de formação e se bandearam para as trilhas do pensamento econômico.
A obra traz um balanço da vida do economista paraibano, morto em 2004, aos 84 anos. Assim como Ronald, Celso também não tinha o reconhecimento explicito dos paraibanos, em particular, dos políticos militantes, prova tamanha encontramos a avaliação da obra do economista, sintetizada em de entrevistas com intelectuais de renome como Francisco de Oliveira, João Manuel Cardoso de Mello, Antônio Barros de Castro, Hélio Jaguaribe e outros, que nesse particular ouso fazer uma modesta crítica ao nobre diretor José Mariani em não ter inserido nesse contexto de entrevistas a fala do nosso Ronald Queiroz um dos mais expressivos interpretes da obra de Celso Furtado.
Mas o mais importante foi a iniciativa de Mariani, em fazendo esse destaque, enobrece mais ainda o legado de Celso Furtado, coisa que a princípio entendo muito apropriado que busquemos nele, inspiração para provocarmos posturas mais inovadoras por parte dos políticos brasileiros.
Assim como Celso, Ronald não visualizava solução aos graves problemas brasileiros, com destaque para o Nordeste sem que não fosse precedida de uma reforma de base.
O estado da Paraíba, foco maior e único da existência do IPS, mesmo em situação lastimável no Ranking Nacional – terceiro estado mais pobre da união, segundo dados do IPEA, de há muito poderia já estar galgando outros espaços, quer no foco das potencialidades regionais, também poderia se valer dessa gama imensurável de idéias dessas duas figuras ilustres a sustentação.
A Paraíba precisa pensar grande, os paraibanos precisam se reconhecer dignos de um futuro melhor.