domingo, 22 de agosto de 2010

PÉROLAS TEXTUAIS

A Paraíba não obstante o estado de inanição em termos de desenvolvimento, possui potencialidades em todos as vertentes do pensamento humano.
Nesse particular, trago agora um texto de um amigo, portador de um dos melhores textos da nossa terra.
Com vocês e para todos nós, GERMANO BARBOSA.

EU NÃO GOSTO DE POVO

Germano Barbosa (*)

Eu prefiro a pessoa, o “ser humano considerado na sua individualidade física ou espiritual, portador de qualidades que se atribuem exclusivamente à espécie humana, quais sejam, a racionalidade, a consciência de si, a capacidade de agir conforme fins determinados e o discernimento de valores, ao qual se atribuem direitos e obrigações”.
Povo é gado, indigente, desprovido de valores nobres, de vida própria, de alma; é aglomerado, normalmente dependente de líder, tangido ao sabor de conveniências, suas ou de déspotas, junto aos quais deposita todas as suas esperanças, sua sorte.
Povo não se organiza se deixa organizar; não constrói, pede, implora, rasteja; é servil e se dá por satisfeito.
Povo acredita demais e questiona de menos; dá demais e recebe de menos.
Povo é sempre base e se contenta em aplaudir e brigar, até mesmo entre si, para manter no topo o seu líder, o seu deus, o seu guru, a quem devota reverência e subordinação. Foi sempre assim, e assim será sempre, uma subordinação visceral a uma liderança primeva, uma chefia qualquer.
Povo não é gente, é massa de manipulação; não se apieda, quer piedade; não escolhe, elege; não avança, segue o cordão; não reage se rebela e logo volta atrás, pedindo perdão.
Povo vive de afago e morre de inanição.
A pessoa é diferente...
A pessoa move, constrói, busca, evolui, cresce, pensa, executa, supera desafios, não se deixa levar, tampouco faz coro com idiotismos.
A pessoa é a coisa mais linda, o tesouro mais precioso, a esperança maior de salvação da raça.
Povo é palavra desgastada, facilmente pronunciada, ao nefando talante da hipocrisia, política, monástica e social.
Povo ergue e mantém estruturas arcaicas, carcomidas, e destrói aspirações de civilização ideal.
Povo ri de si mesmo – povo é bobo e masoquista.
Precisamos é de pessoas, muitas pessoas, homens e mulheres, aqui e alhures, dispostas, altivas, menos povo e muito mais pessoas, críticas, perspicazes, para combater a inércia popular e fazer avançar-se nas conquistas humanas.
O planeta carece da ação da pessoa, no que concerne à observância às leis naturais da vida e da própria natureza, em consonância com princípios ético-sociais e o imperativo senso de solidariedade, alavanca imprescindível à profusão do ser humano, ora cambaleante, alheio ao seu entorno.
Apostar na pessoa é promover o cidadão; alimentar o “povo” é manter o homem refém do poder espúrio, odiento, escravizante.
Povo merece apupos – palmas para a pessoa.
(*) Jornalista

2 comentários:

  1. Tinha que ser um texto escrito pelo queridíssimo amigo Germano Barbosa. Parabéns pela escolha do texto, que por sinal, tem tudo a ver com o Instituto Paraíba Solidária. Abraço!!!

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  2. Nunca um texto esteve tão atual. A escrita de Germano Barbosa é como Música Clássica, nunca estará fora de moda.

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